DNV

Como transformei a gestão caótica de poços de petróleo em uma interface de fácil compreensão.

Um sistema voltado para a avaliação quantitativa do risco de blowout de poços durante a fase operacional do poço.

Europa & Brasil

Localização

Product Designer

Posição

2025 - 2026

Data

DNV
Noruega

A DNV é uma especialista independente em garantia e gestão de riscos, com atuação em mais de 100 países. Motivados pelo propósito de proteger vidas, propriedades e o meio ambiente, capacita seus clientes e suas partes interessadas com dados e insights confiáveis, permitindo que decisões críticas sejam tomadas com confiança.

O QUE É

O MyBarrier Well é uma plataforma de avaliação quantitativa de risco de blowouts desenvolvida pela DNV

parceria com a

Petrobras

Engenheiros de integridade de poços usam a ferramenta para tomar decisões críticas sobre falhas em barreiras durante fases de produção, intervenção e abandono temporário — decisões que podem evitar acidentes ambientais e salvar vidas.

MyBarrier — Barrier Elements Analysis

ANTES

Quando assumi o projeto, algo já existia. Mas tudo era difícil de entender. Exigia muito esforço.

Precisávamos traduzir os riscos de um poço em decisões visuais claras e de fácil percepção.

Print do sistema antigo.
Print do sistema antigo.
Print do sistema antigo.

PROCESSO

Então mergulhei fundo no projeto para entender o que deveria manter, melhorar ou inventar do absoluto zero.

  1. 01

    Product discovery

    Sessões com o cliente e engenheiros para entender a regra de negócio e o domínio antes de qualquer decisão de design.

    • Domínio
    • Regra de negócio
    • Stakeholders
    • Kickoff
  2. 02

    Definição de personas

    Mapeamento dos perfis de usuário. Seus contextos, necessidades e níveis de acesso dentro da plataforma.

    • Perfis de usuário
    • Contexto de uso
    • Permissionamento
    • Comportamentos
  3. 03

    Ideação inicial

    Exploração de soluções para os desafios, com foco em simplificar fluxos complexos sem perder funcionalidades.

    • Brainstorming
    • Exploração
    • Decisões de design
    • Criatividade
  4. 04

    Arquitetura e escopo

    Definição dos módulos do sistema e como eles se conectam. Garantindo que a estrutura suportasse a complexidade.

    • Estrutura
    • Navegação
    • Módulos do sistema
    • Fluxos

CONCLUSÃO

Depois de entender como cada fluxo funcionava, algumas coisas ficaram claras.

Carlos Mendes

Carlos Mendes

Gerente de integridade

Ele tem conhecimento técnico. Garante que nenhum poço sob sua gestão apresente risco ou prova de vazamento. Precisa:

Acessar informações críticas com agilidade e precisão

Identificar problemas sem interpretar os dados

Ricardo Alves

Ricardo Alves

Gerente de operação

Ele não tem conhecimento técnico. Não entende o sistema, os relatórios e as análises que a equipe de engenharia cria. Precisa:

Entender o impacto de uma falha antes que ela aconteça

Entender relatórios executivos sem complexidade técnica

Ou seja, o sistema antigo não resolvia o problema nem do engenheiro, e nem do gerente.

Com tudo mapeado, surgiram os principais desafios do projeto.

  1. 01

    Como traduzir um modelo probabilístico em decisões visuais claras para engenheiros técnicos?

  2. 02

    Como reduzir o tempo de leitura de um poço sem esconder a profundidade analítica que o engenheiro exige?

  3. 03

    Como criar uma linguagem visual única para representar algo que só existia em números e tabelas?

  4. 04

    Como projetar para dois públicos com bagagens completamente diferentes?

  5. 05

    Como permitir que engenheiros testem hipóteses sem colocar em risco os dados reais do poço?

Rabiscamos, testamos e chegamos em algumas ideias.

Planta 2D dos poços como alternativa de tabelas.

Para substituir a visualização em tabelas, criamos representações visuais de cada poço — plantas 2D que mostram suas barreiras de contenção de forma espacial e intuitiva. O engenheiro deixou de interpretar dados para passar a enxergar o poço.

O problema passa a ser localizado, não deduzido.

Elementos interativos com detalhes de cada barreira

Localização visual imediata do problema

Interface que comunica por ambiente

Para resolver o excesso de informação sem hierarquia, a interface passou a usar cor e ambientação como linguagem principal. A tela inteira muda de estado — verde, amarelo, vermelho — refletindo a situação real dos poços.

O engenheiro entende o cenário antes de ler qualquer dado.

Estado geral percebido em segundos, sem leitura

Hierarquia visual que guia a atenção ao problema

Modo de simulação

Para permitir que engenheiros testassem hipóteses sem impactar o ambiente real, criamos um switch que alterna entre o ambiente operacional e o ambiente de testes. No modo de simulação, é possível alterar o estado das barreiras e observar como o poço se comportaria.

Ferramenta de decisão que antes simplesmente não existia.

Teste de hipóteses sem impactar dados reais

Antecipação de consequências antes de mudanças no poço

Então começaram as etapas de trabalho:

Wireframe

Baixa fidelidade pra validar a lógica das telas antes de gastar tempo com visual. Testamos onde cada informação deveria estar, sem cor ou distração nenhuma.

Wireframe

Fluxos validados com engenheiros antes da camada visual

Testes de navegação direto com quem usava o sistema no dia a dia

Criação das plantas 2D

Criamos templates que cobrem os tipos de poço mais comuns, a estrutura muda pouco de um pra outro. Cada planta parte de um template e recebe só os ajustes específicos.

Criação das plantas 2D

5 templates cobrindo os principais tipos de poço da operação

Redesenho pontual em vez de recriar a planta inteira a cada caso

Design System

Componentes reaproveitáveis pra dar conta de 100+ telas sem cada uma virar um caso à parte. Nasceram da necessidade real do produto, não de um kit pronto.

Design System

Padrões criados a partir de casos reais da plataforma

Consistência entre módulos sem repetir trabalho a cada tela

Visual Design

Aplicação final do sistema nas telas de produção. Foco em densidade de informação sem virar poluição visual.

Visual Design

Hierarquia visual pensada pra decisão rápida sob pressão

Cor e ambientação como parte da linguagem, não decoração

RESULTADO

E dois anos depois, um produto em produção.

No fim das contas, quais problemas o redesign resolveu?

-60%
Redução no tempo para avaliar quais elementos de barreira tem risco dentro de um poço.
-45%
Redução no tempo para identificar quais poços estão em zona de risco crítico na tela de início.
Imensurável
Queda nos erros de leitura de dados após o redesign das visualizações.
100%
Todas as avaliações e mudanças de estratégia registradas e auditáveis.

O QUE EU APRENDI

Pra desenhar um produto complexo, entender vem antes de desenhar. Antes de tocar em qualquer tela, precisei entender como um poço funcionava, o que representava risco, por que representava e quando representava.

Mapear dor não é suficiente. É preciso entender o porquê de cada dor existir, senão você resolve o sintoma errado. Ou piora o que era ruim.

Esse é o nível de domínio técnico que separa um design que parece bom de um design que resolve. Nesse projeto, boa parte do trabalho não foi organizar tela, foi acumular contexto técnico suficiente pra saber exatamente o que cada pixel precisava carregar, e por quê.